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quarta-feira, 16 de maio de 2012

RELEMBRE O JOGADOR: Pavel Nedved – Maior jogador tcheco depois de Masopust


Nedved foi um dos maiores jogadores da história do
Juventus

O futebol tcheco viveu duas fases marcantes em sua história: o antes e o depois da Tchecoslováquia. Antes de separar-se da Eslováquia, eles foram campeões olímpicos na antiga União Soviética em 1980, campeões europeus na Iugoslávia em 1976, vice-campeões olímpicos nas Olimpíadas de Tóquio em 1964 e vice campeões mundiais no Chile em 1962, contra o Brasil. Após a separação, eles só conseguiram o vice-campeonato da Eurocopa na Inglaterra em 1996, ao serem derrotados pela Alemanha no estádio de Wembley por 2x1.


Em cada uma dessas fases do futebol tcheco surgiu uma lenda: primeiro Josef Masopust e, mais recentemente, Pavel Nedved.


Nedved foi o maior e mais talentoso jogador a vestir a camisa da Republica Tcheca, depois de Masopust. Jogador com técnica diferenciada, se doava ao time até o último minuto e chutava com maestria com ambas as pernas. Foi ídolo no seu país e na Itália, país por onde jogou.


Filho de Anna e Vaclavu Nedved, Pavel já mostrava amor ao esporte bretão aos 5 anos. Sabendo do sonho do garoto em se tornar jogador de futebol, os pais resolveram levá-lo ao clube de jovens da cidade de Cheb, o TJ Skalna, para aprender os principais fundamentos do futebol. Nedved permaneceu no clube por 8 anos. Aos 13, ele deixou o Skalna e passou a frequentar diversos clubes próximos da cidade de Cheb, onde nasceu e vivia com os pais. Andou por Cheb RH, VTJ Tabor, até chegar ao Dukla Praga em 1991, aos 18 anos.


No clube onde jogou ninguém menos do que Masopust, Nedved permaneceu por 1 ano. Atuou pelo time de base até conseguir uma oportunidade na equipe principal, jogando em 19 partidas e marcando 3 gols. Em 1992, Nedved se transferiu para uma outra equipe, mais tradicional e com chances de ganhar títulos no país: o Sparta Praga.


Nesse período, ocorreu o processo histórico que dividiu a Tchecoslováquia em dois países: a República Tcheca e a Eslováquia. A separação foi oficializada em 1º de janeiro de 1993. Essa divisão ficou conhecida como Separação de Veludo por ter ocorrido de forma pacífica, sem nenhum conflito armado.

Nedved foi apresentado ao país, vencendo 3 títulos da Liga Tcheca e uma Copa. Foi atuando pelo time da capital que o jogador realizou outro sonho: ter a oportunidade de atuar na seleção da recém-formada República Tcheca. A estreia do jogador foi em junho de 1994, num amistoso contra a seleção da Irlanda. Os irlandeses foram derrotados pelo placar de 3x1.


Após o início promissor na seleção, Nedved teve sua grande oportunidade na Eurocopa da Inglaterra em 1996. Jogando nas cidades de Liverpool e Manchester, a República Checa enfrentou seleções de peso como Alemanha e Itália. Com uma vitória (2x1 sobre a Itália – com um gol de Nedved, seu primeiro gol com a camisa da seleção tcheca), um empate (3x3 com a Rússia) e uma derrota (2x0 para a Alemanha), a República Tcheca se classificou para as finais, superando os italianos pelo saldo de gols. 

As duas seleções somavam 4 pontos, mas a seleção tcheca marcou 5 gols – dois a mais que os italianos. Liderando uma equipe jovem e com muito potencial, Nedved ajudou a seleção da República Tcheca a chegar às finais da Euro 96. Nas quartas-de-final, vitória sobre Portugal por 1x0, com gol de Poborsky; nas semifinais, eliminaram a França de Zinedine Zidane nos pênaltis após empatar em 0x0. Nedved marcou o seu, vencendo a disputa por 6x5. Na grande final, disputada em Wembley, novo encontro com os alemães que eliminaram a Croácia (2x1) e os donos da casa (1x1 no tempo normal e 6x5 nos pênaltis). Com a bola rolando, a superioridade alemã prevaleceu mais uma vez com uma nova vitória: foram 2 gols de Bierhoff (um no tempo normal e outro na prorrogação, o chamado gol de ouro) e os alemães conquistaram o terceiro título europeu com uma vitória de virada por 2x1. Patrick Berger marcou o gol tcheco. Foi a primeira final da seleção tcheca desde 1976, quando ainda fazia parte da Tchecoslováquia.


Com a ótima participação na Euro, o futebol de Nedved – e de outros jogadores tchecos –chamou a atenção de grandes clubes europeus. Pavel tinha um acordo verbal com o PSV Eindhoven, mas os italianos da Lazio chegaram na frente e contrataram o meia junto ao Sparta Praga no segundo semestre de 1996.


Em Roma, Nedved permaneceu por 5 temporadas. Jogou 204 partidas, marcando 54 gols. Pela equipe biancocelesti, o jogador conquistou um Campeonato Italiano (1999/00), duas Copas da Itália (1997/98 e 1999/00), duas Supercopas Italiana (1998 e 2000), uma Copa dos Campeões de Copas Européias (1999) e uma Supercopa Européia (1999) – esta última vencendo o Manchester United em Mônaco por 1x0, com gol do chileno Marcelo Salas. A Lazio também foi finalista da Copa da UEFA em 1998, contra a Inter de Milão em Paris. Vitória nerazzurri por 3x0, gols de Zamorano, Zanetti e Ronaldo.

Nedved foi importante no crescimento da Lazio nos anos 90, ofuscando o seu maior rival, a Roma. Falando na rivalidade entre os dois clubes, Pavel Nedved foi vítima em um dos lances mais bonitos do futebol: em 2000, durante um derby entre Roma e Lazio na capital italiana, o meia tcheco sofreu uma sequência de 3 chapéus do lateral brasileiro Cafu.


No mesmo ano, Nedved disputaria seu segundo torneio europeu de seleções, a Euro 2000, realizada na Holanda e na Bélgica. A seleção tcheca estava no Grupo D com Holanda, França e Dinamarca. Com duas derrotas (1x0 para a Holanda e 2x1 para a França) e uma vitória (2x0 sobre a Dinamarca), os tchecos foram eliminados na primeira fase, terminando em terceiro na tabela. A França, que se classificara em segundo, levaria o segundo título europeu ao derrotar a Itália na final por 2x1, com um golaço de Trezeguet na prorrogação.


Com Nedved, a Lazio conquistou muitos títulos, mas o clube romano se encontrava numa grave crise financeira e sua negociação foi inevitável. Com propostas de Manchester United, Real Madrid, Barcelona, Inter de Milão, Arsenal, Chelsea e Juventus na mesa, o proprietário da Lazio teve que tomar uma decisão para o bem das finanças do clube. Por isso, o meia foi vendido à Juventus no verão de 2001, por € 36,6 milhões, tornando-se a 18º maior transação do futebol mundial.


Contratado para substituir ninguém menos do que o craque francês Zinédine Zidane, que havia se transferido para o Real Madrid por € 76 milhões (na época, a maior transação internacional de atletas de futebol da história), Nedved provou que podia ser o substituto ideal ao maestro francês: logo em sua primeira temporada, conquistou seu primeiro título com a camisa da “Vecchia Signora”, o campeonato italiano de 2001/02. A temporada de 2002/03 seria a melhor de toda a carreira de Nedved. Muita dedicação, raça e belíssimos gols chutando com as duas pernas renderam a ele os apelidos de Mago Tcheco e Fúria Ceca (Fúria Tcheca). Mesmo tendo ele e a seleção de seu país ficado de fora da Copa do Mundo na Coréia e Japão de 2002, o craque tcheco decidiu jogos importantes e foi um jogador essencial na campanha do clube de Turim, o qual buscava a terceira taça da Liga dos Campeões da Europa.


O time foi o primeiro colocado do Grupo E, com 16 pontos, superando Newcastle (ING), Dynamo Kiev (UCR) e Feyenoord (HOL). Nas quartas de final, enfrentou o Barcelona (1x1 em Turim e 1x2 na Espanha) e o Real Madrid nas semi-finais (2x1 na capital espanhola e 3x1 em Turim). Nedved marcou o terceiro gol da Juve na partida decisiva. Porém, durante a disputa, o craque tcheco deu um carrinho no meia inglês Steve McManaman do Real e o camisa 11 da Juventus recebeu o terceiro cartão amarelo – ficando de fora da final e deixando o jogador desesperado.


Classificada para enfrentar o Milan no Estádio Old Trafford em Manchester e sem Nedved, a Juventus tinha outras armas para tentar levar o título, mas os atacantes Trezeguet e Del Piero não conseguiram superar a forte defesa rossonero e a partida foi decidida nas penalidades. Nas cobranças, o Milan venceu por 3x2, conquistando a taça da Liga dos Campeões da Europa pela sexta vez.


Nedved não pode ajudar a equipe a superar um dos seus maiores rivais, mas levou de consolo mais um campeonato italiano, e aos 31 anos foi premiado com a Bola de Ouro da Revista France Football, como o melhor jogador da temporada. Foi o sexto jogador da Juventus a vencer o prêmio – antes dele, o argentino Omar Sivori (1961), o italiano Paolo Rossi (1982), o francês Michel Platini (1983/84/85), o italiano Roberto Baggio (1993) e o francês Zinédine Zidane (1998) haviam conquistado o prêmio jogando pela Juve. O jogador também foi agraciado com o prêmio de Jogador do Ano da Itália (chamado também de “Oscar do Calcio”), ao lado de Francesco Totti da Roma. Na eleição dos melhores jogadores, feita pela FIFA, Nedved nem chegou entre os três melhores: terminou em quarto, atrás de Ronaldo, Henry e Zidane, que conquistava o título de melhor jogador do mundo pela terceira vez.


Em 2004, durante as festividades do centenário da FIFA, Pelé foi convidado pela entidade a escalar os 100 maiores jogadores de futebol vivos. Pavel foi eleito, ao lado de Josef Masopust, como o maior futebolista tcheco da história.


Em junho do mesmo ano, Nedved estava relacionado entre os convocados de Karel Brückner para a disputa da Euro 2004 em Portugal. Aos 32 anos, Nedved se tornaria o capitão do time, ao lado de antigos companheiros como o meia Karel Poborsky, Milan Baros e Vladimír Smicer. Os tchecos contavam com um time mais experiente para tentar o primeiro título desde a separação da Tchecoslováquia. Jogando no grupo D contra Holanda, Alemanha e Letônia, os tchecos se classificaram em primeiro, com os holandeses em segundo. A Alemanha, tricampeã européia e em processo de renovação, teve uma péssima campanha (1 empate e 2 derrotas), terminando em terceiro e indo para casa mais cedo. Firme na busca do titulo, os tchecos atropelaram a Dinamarca por 3x0 nas quartas-de-final, mas ficaram pelo caminho na semifinal, ao serem derrotados pela surpreendente Grécia por 1x0 na prorrogação. Após a derrota para os gregos, Nedved decidiu abandonar a seleção tcheca.


A Juventus, liderada pelo craque tcheco e do artilheiro sueco Zlatan Ibrahimovic, conquistaria mais 2 títulos italianos em sequência (2004/05 a 2005/06), mas veio à tona um escândalo relacionado à manipulação de resultados que envolveria, além da Juve, o Milan, Fiorentina, Lazio e Reggina. Todos os clubes envolvidos no escândalo perderam pontuações na classificação e também (no caso de Milan, Juventus e Fiorentina) perderam as vagas nas copas européias. A decisão da promotoria optou também por retirar os dois títulos da Juve (que acabaram indo para a Inter, terceira colocada, pois o Milan, vice-campeão, também foi punido) e, conseqüentemente, rebaixar o clube para a segunda divisão do futebol italiano. A Juve, que estava próxima de bordar a terceira estrela em sua camisa (alusiva ao trigésimo título italiano), permaneceu com 27 scudettos, sendo o maior campeão do futebol da velha bota.


Com o clube na série B, muitos atletas resolveram partir. O atacante sueco Ibrahimovic e o volante francês Vieira se transferiram para a Inter de Milão, que emplacaria uma sequência de 4 títulos italianos. Nedved, Buffon, Del Piero e Trezeguet decidiram permanecer no clube e jogar a segundona. E não decepcionaram. Com os três jogadores, a Juventus fez uma ótima campanha, retornando à divisão principal do futebol italiano sem dificuldades.


Nedved teve um novo capítulo na seleção tcheca: o técnico Karel Brückner convenceu o meia a ajudar a seleção na Copa do Mundo na Alemanha em 2006. O início na participação tcheca até foi promissora, num sonoro 3x0 contra a seleção norte-americana, mas a presença do meia da Juve não foi o suficiente para garantir à República Tcheca êxito nas outras partidas: as derrotas para Gana e Itália (ambas por 2x0) eliminaram os tchecos do mundial na primeira fase. O time dos sonhos, que tinha um dos melhores jogadores da história do futebol tcheco, tinha sido terminado.


Na temporada 2007/08, ano que a Juventus retornou da série B, o desempenho foi satisfatório. O clube terminou o campeonato em terceiro, atrás da campeã Inter de Milão e da vice Roma. Pavel foi um jogador fundamental na campanha da Vecchia Signora no certame, com muita técnica e raça – suas características mais marcantes. Tanto que num clássico contra a Inter, Nedved gerou polêmica ao lesionar o meia português Luis Figo numa dividida. O tcheco fraturou a fíbula do craque luso, sendo duramente criticado pelo lance.


Em 2008, Nedved pensou em parar de jogar para dedicar seu tempo à família. O jogador é casado desde os 21 anos com Ivana Nedved, com quem namorava desde os tempos em que jogava no Sparta Praga, e tem dois filhos: Ivana e Pavel, um casal que leva seus próprios nomes.


Convencido pelo presidente da Juve, Nedved assina em 2008 a renovação de contrato com duração de um ano. Apesar de sofrer com uma lesão e com especulações de transferência para o futebol japonês, o jogador resolveu permanecer em Turim, mas não voltou atrás da decisão de abandonar a seleção. O atleta não quis participar da Euro 2008, na Áustria e Suíça, mesmo com os apelos de antigos colegas e do técnico Karel Brückner, o qual acaba deixando o comando do selecionado tcheco após a competição.


Pela seleção da República Tcheca, Pavel Nedved atuou em 91 partidas, com 18 gols marcados. É o segundo jogador que mais vestiu a camisa da seleção, perdendo apenas para o também meia Karel Poborsky, que atuou em 118 jogos. Nedved não conquistou nenhum título jogando pela seleção da República Tcheca.


Em fevereiro de 2009, o jogador anuncia oficialmente, aos 36 anos, sua aposentadoria do futebol, para se dedicar somente à família.


A última partida oficial de Nedved foi justamente contra o clube que abriu as portas para o tcheco no calcio: a Lazio. Jogando em Turim, o time venceu os biancocelesti por 2x0. O Mago teve uma atuação regular, dando assistências (inclusive a do segundo gol), e muitos chutes a gol. O jogador foi substituído no segundo tempo, para tristeza da torcida bianconeri. Nedved foi abraçado por todos os seus companheiros no gramado e fora dele foi ovacionado pelos torcedores, que levaram uma faixa com os dizeres “Grazie Pavel”, em agradecimento aos quase 10 anos de lealdade e ótimos serviços prestados pelo craque tcheco, que atuou em 327 partidas, com 50 gols marcados e muitos títulos.

No mesmo dia, além de Nedved, mais dois craques deram adeus aos gramados: o italiano Paolo Maldini do Milan e o português Luis Figo da Inter. O futebol ficou mais triste.


O agora ex-jogador ficou longe do futebol por pouco tempo. A Juventus penava com dificuldades financeiras e técnicas, principalmente após a aposentadoria do Mago Tcheco. O brasileiro Diego (ex-Santos, Lazio e Wolfsburg) foi contratado para substituí-lo, mas decepcionou. Em 2010, Nedved voltou à Juventus – desta vez como diretor e membro do conselho do clube. Sua função agora é atuar como supervisor e ser o intermediário entre os jogadores e a diretoria.


Em 2011, Nedved anunciou que publicará a sua autobiografia, onde contará a sua vida no futebol – desde o seu nascimento em Cheb até sua evolução como jogador na Itália e suas conquistas individuais, como a Bola de Ouro, e conquistas coletivas vestindo a camisa da Vecchia Signora, onde se tornou o único jogador estrangeiro a atuar mais vezes com a camisa da Juve – clube que ainda sofre com a ausência do Mago Tcheco. Mas os torcedores italianos não são os únicos a sofrer: sofrem também os tchecos, que perderam seu capitão e um dos maiores jogadores da história do país.



Ficha Técnica
Nome Completo: Pavel Nedved
Nascido em 30 de agosto de 1972 em Cheb – Tchecoslováquia
Posição: Meia Site Oficial: www.pavelnedved.cz
Clubes como Jogador: Dukla-CZE (1991 a 1992), Sparta Praga-CZE (1992 a 1996), Lazio-ITA (1996 a 2001) e Juventus-ITA (2001 a 2009)
Títulos como Jogador: 3 Campeonatos Tchecos (1993, 1994 e 1995) e 1 Copa da República Tcheca (1996), 2 Coppa Italia (1998 e 2000), 4 Supercopas Italianas (1998, 2000, 2002 e 2003), 1 Recopa Europeia (1999), 1 Supercopa Europeia (1999), 3 Campeonatos Italianos (2000, 2002 e 2003) e 1 Campeonato Italiano Serie B (2007)
Seleção: 91 jogos e 18 gols marcados

Texto publicado originalmente no Trivela em 05 de setembro de 2011: http://trivela.uol.com.br/blog/lado-b/pavel-nedved-maior-jogador-tcheco-depois-de-masopust/

CONHEÇA O JOGADOR: Kyle Ebecilio – Jogador Sub-17, futebol de gente grande


Kyle Ebecilio se destacou no Europeu sub-17 e também
no Mundial da categoria realizada no México.

No futebol, quando se fala em volantes atualmente, se pensa em jogadores quebradores de bola, que marcam forte – até com uma certa virilidade. Lembrou de Nigel De Jong, certo? Por falar em volantes holandeses que se caracterizam pela força, pela raça, um jovem surge agora como uma promessa de craque. Craque? Sim. Características como habilidade, velocidade e força fazem de Kyle Ebecilio uma grata revelação holandesa.


Nascido na cidade de Hoorn, região noroeste da Holanda, Kyle seguiu os passos do irmão mais velho Lorenzo. O talento do irmão, que joga como atacante, o levou a vestir a camisa do Ajax, da capital Amsterdã, aos 18 anos. Kyle tinha apenas 15 quando deixou a cidade natal e desembarcou em Rotterdã para jogar no Feyenoord, que levou o garoto para sua academia de formação de jovens jogadores. Ao lado dele estava seu primo, Jeffrey Bruma, um zagueiro muito promissor que despertava o interesse do Chelsea.


Em 2009, os blues de Londres confirmaram seus interesses e levaram o jovem zagueiro para Stanford Bridge. Por sua vez, Kyle começava a brilhar mais na seleção de base da Holanda quanto no Feyenoord.


Sua estreia na seleção laranja foi no Campeonato Europeu Sub-17, na Sérvia, no ano passado. Com uma campanha irretocável (6 vitórias e um empate), a Holanda conquistaria o seu primeiro título da categoria ao derrotar a Alemanha na final por 5x2. Ebecilio, que foi o melhor jogador do torneio, marcou um dos gols, se tornando o artilheiro da competição, ao lado do também holandês Tonny Trindade e do alemão Samed Yesil, com 3 gols marcados cada.


Após a conquista do torneio europeu pela seleção holandesa, o contrato de Kyle Ebecilio com o clube de Rotterdã chegava ao fim. E o futebol do garoto começou a ser disputado por dois gigantes ingleses: o Chelsea – que em 2009 havia contratado do Feyenoord o zagueiro Jeffrey Bruma – tentou de todas as formas contratar o talentoso volante. Além dos blues, o Arsenal também estaria na disputa pelo jovem, que em 2010 estava com 16 anos.


Londres estava cada vez mais próxima de ser a nova casa de Ebecilio. Os Gunners venceram a disputa com o Chelsea pelo jovem holandês. Com a tradição de trabalhar no desenvolvimento de jovens jogadores (e revelar talentos como por exemplo o espanhol Cesc Fabregas), o Arsenal levou o garoto no verão de 2010 para atuar nas divisões de base. Kyle foi destaque pelo clube nos torneios sub-18 e pela FA Youth Cup na temporada de 2010/11 (uma espécie de Copa da Inglaterra Juvenil).


Em fevereiro de 2011, Ebecilio assinou seu primeiro contrato profissional com o Arsenal. Arsene Wenger, técnico dos Gunners, pediu a transferência do garoto para Londres e fez questão de contar com o meia para as principais competições que o Arsenal disputará na temporada 2011/12 (Liga dos Campeões, Premier League, Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa).


Em junho de 2011, no México, a Holanda chegou ao Mundial Sub-17 como uma das grandes favoritas para a conquista do título. Com um técnico experiente, um grupo forte e unido e com craques como Ebecilio, era certo que os laranjas estariam entre os melhores da competição. O time, porém, não confirmou as expectativas. Num grupo que contava com os donos da casa, o Congo e a Coreia do Norte, a Holanda terminou a primeira fase em último lugar, com duas derrotas (1x0 Congo e 3x2 México) e um empate (1x1 com a Coreia do Norte). Mesmo com as derrotas, os erros e a eliminação, Kyle Ebecilio chamou a atenção por suas qualidades – principalmente sua habilidade – marcando um belo gol contra os mexicanos. “Não posso estar orgulhoso com a minha atuação, já que jogamos e perdemos em equipe, mas estou orgulhoso do grupo, nós lutamos muito e demos tudo até o final”, disse ao Fifa.com o camisa 6 e destaque holandês no mundial.


Pela seleção de base da Holanda, os números de Kyle são inexpressivos, mas eficientes: em dois torneios oficiais (um mundial e um europeu), disputou 8 jogos, com 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcando 4 gols.


Nessas competições, Kyle Ebecilio mostrou qualidades que o classificam como uma grande realidade do futebol: capacidade de recuperar a bola, driblar e distribuir o jogo com extrema qualidade. Com 1,81m de altura, o jogador lembra muito o volante francês Patrick Vieira – tanto física quanto tecnicamente. Mas a inspiração do garoto é outro jogador, que substituiu o próprio Vieira no Arsenal: o camaronês Alex Song. “(Ele) é meu modelo. Ele joga na mesma posição que eu e é muito técnico. Sinto que meu futebol é muito parecido com o dele”, afirma em entrevista ao site da FIFA.


Uma coisa é certa: o futebol de Kyle Ebecilio vai crescer muito e o jogador logo estará entre os selecionáveis do técnico Bert van Marwijk. Assim como no time principal do Arsenal. E quem sabe seguir o mesmo caminho de seus conterrâneos Dennis Bergkamp e Robin van Persie e se tornar um grande ídolo dos Gunners. Potencial ele mostrou que tem.




Ficha Técnica
Nome Completo: Kyle Ebecilio
Nascido em: 17 de fevereiro de 1994 em Hoorn (Holanda)
Posição: meio-campista (volante)
Clubes como jogador: Feyenoord (2009/10), Arsenal-ING (desde 2010)
Titulos como jogador: Campeão Europeu Sub-17 (2010)






Texto publicado originalmente no Trivela em 23 de agosto de 2011: http://trivela.uol.com.br/blog/lado-b/kyle-ebecilio-sub-17-mas-futebol-de-gente-grande/

domingo, 29 de abril de 2012

OPINIÃO: Pep, o grande!

Josep Guardiola foi um volante de muita qualidade. Tinha uma categoria rara em jogadores da posição. Jogava tanto no setor defensivo, quanto no ofensivo. Revelado no Centro de Treinamentos de La Masia, subiu para os profissionais do Barça em 1992, numa partida do campeonato Espanhol, substituindo o suspenso Guillermo Amor. Desde então não saiu mais do time. No mesmo ano foi campeão europeu pelo Barcelona derrotando a Sampdoria, em Wembley por 1x0. Naquela época o time já era imbatível. Contava com nomes de respeito como o goleiro espanhol Andoni Zubizarreta, o zagueiro holandês Ronald Koeman, o meia dinamarquês Michael Laudrup, o atacante búlgaro Hristo Stoichkov e comandado pelo técnico holandês Johan Cruyff. Foi capitão, líder, maestro do time blaugraná por 17 anos.

Pela seleção espanhola, Guardiola conquistou em casa a medalha de ouro com o time sub-23. Atuando pelo time principal, jogou a Copa de 1994 e a Euro de 2000. Deixou os gramados em 2006, após passagens pelo futebol italiano e árabe.

O grande ápice na carreira de "Pep" seria na beira do gramado, quando voltou para La Masia para trabalhar na base do Barça, até ser "promovido" ao grupo principal. Dirigindo um time recheado de estrelas e pratas da casa, ganhou 13 dos 18 títulos que disputou. Revolucionou o modo de atuar nas quatro linhas, tornando o Barcelona um dos times mais fantásticos do século.

Depois de cinco anos extraordinários ensinando o mundo como se joga futebol, Guardiola deixou o comando do Barcelona após duas semanas tenebrosas. Derrota para o maior rival em casa - perdendo a possibilidade de faturar o título espanhol - e eliminação da Liga dos Campeões para o Chelsea. Três jogos sem vitórias.

O motivo da saída de Guardiola não foram por causa das derrotas. As perguntas são diversas. Os motivos não foram bem esclarecidos. O treinador saiu pela porta da frente, considerado como um dos maiores comandantes da história do Barcelona. E o status de  maior técnico do mundo. 

O destino de Pep ninguém sabe. Ele disse que pretende descansar, ficar longe do futebol por um tempo. Há rumores que ele pode ir para o futebol italiano, comandar a seleção inglesa, e acreditem: até dirigir a seleção brasileira. Bom, pelo menos é o que a maioria dos brasileiros querem.

Quem sabe treinando a seleção, ele se tornaria um técnico nota 10?!

Uma coisa é certa: Guardiola não permanecerá fora do futebol por muito tempo, o destino dele é uma incógnita, mas pra onde ele for será vencedor. Afinal, todos o querem e certamente ele quer desafios maiores.

Aos amigos que não tiveram a oportunidade de vê-lo jogar. Aproveite e assista este video. Vale a pena. Jogava muito!



sábado, 21 de abril de 2012

RELEMBRE O JOGADOR: Duncan Edwards – O destino faz uma lenda


Edwards era considerado um craque nos anos 50

“Ele era o jogador que fazia me sentir inferior!” Palavras de Bobby Charlton, um dos maiores da história do futebol mundial, para descrever Duncan Edwards, considerado uma das maiores revelações do futebol inglês depois de Stanley Matthews – e antes de Bobby Moore e do próprio Charlton. Talentoso, cerebral, diferenciado, um jogador completo. Duncan Edwards atuava como meia e foi destaque nos anos 50. É um nome admirado até hoje por torcedores de toda a Inglaterra, principalmente os do Manchester United, time no qual atuou em sua curta carreira. Além de brilhar na equipe comandada por Matt Busby, ele também jogou pela seleção do país com grande excelência. Seria um craque (segundo os ingleses, seria melhor que Pelé), se sua carreira não fosse interrompida por uma tragédia. Por causa do destino, ele se tornou uma lenda do futebol.

Edwards foi um meio campista defensivo por característica, mas por muitas vezes jogou como ala, armador, zagueiro e até como atacante – só não jogou como goleiro. Tinha grande capacidade de defender, armar a jogada e voltar pra defesa com velocidade jamais vista. Tinha um notável senso de liderança para um jogador tão jovem. Jogador dinâmico, tanto nas arrancadas como nos fundamentos, usando as duas pernas com passes longos, curtos, cobranças de faltas e escanteios. Outras características de destaque eram a força física e a resistência. Dificilmente perdia numa dividida. Era como se o adversário batesse numa rocha – tanto que foi apelidado de “Big Dunc” e “The Tank” por causa da sua altura (1,80m) e do seu porte físico. Bobby Charlton, seu companheiro de Manchester e de seleção, o comparou ao Rochedo de Gibraltar. Stanley Mathews o descreveu como “uma rocha em um mar revoltado”. Foi considerado, por jornalistas e jogadores da Inglaterra, o jogador mais forte do mundo na época.

Edwards nasceu a 1º de outubro de 1936, em Dudley, uma pequena cidade localizada, na época, no condado de Worcestershire – hoje, parte do condado de West Midlands, próximo a Birmingham e Wolverhampton, oeste da Inglaterra. Foi o mais velho dos dois filhos do casal Gladstone e Anne Edwards, sendo o único a sobreviver até a maioridade (sua irmã mais nova, Carol Anne, morreu logo após o nascimento).

Na escola, já chamava atenção pela sua habilidade com a bola nos pés, tanto que foi convocado para atuar pela English Schools Football Association, em 1950, contra o selecionado do País de Gales no Estádio de Wembley. Edwards atuou por duas temporadas seguidas, como meia e capitão da equipe, e já atraía atenção dos olheiros de grandes clubes do país – especialmente o Manchester United, até então um clube em ascensão. O jovem craque também era disputado por Wolverhampton Wanderers e Aston Villa, clubes de cidades próximas a Dudley (Wolverhampton e Birmingham). Mas o garoto foi seduzido pela proposta do clube de Manchester, no norte da Inglaterra, e preferiu atuar nos United, dizendo que era clube dos seus sonhos, gerando a ira do gerente dos Wolves, o qual acusou o Manchester United de oferecer incentivos financeiros para Edwards e sua família. Com o sinal positivo de Matt Busby, que já havia ouvido falar da jovem promessa em 1948, Duncan Edwards foi contratado pelos Red Devils em 2 de julho de 1952.

Mesmo assim, por garantia, ele estudava carpintaria – para o caso de a carreira no futebol não vingar.

Edwards estreou na equipe principal do Manchester aos 16 anos e 185 dias, em 4 de abril de 1953, contra o Cardiff City, na Primeira Divisão Inglesa. Derrota por 4x1. Mesmo com esse revés, Edwards já entraria para a história como o atleta mais jovem a atuar profissionalmente por uma equipe na divisão principal do futebol inglês até então. Essa marca só foi superada em 13 de maio de 2007 por Matthew Briggs do Fulham que, aos 16 anos e 65 dias, estreou pelos Whites na derrota para o Middlesborough por 3x1, tornando-se o atual recordista.

Em meio a muitos jogadores mais velhos, Edwards encarou com muita naturalidade o desafio. Mesmo assim, Busby acabou promovendo outros jogadores das categorias de base, como Duncan – foi de lá que também vieram Dennis Viollet e Jackie Blanckflower. Com o ingresso destes garotos, eles seriam conhecidos como The Busby Babies (Os Bebês de Busby), já que todos os três tinham menos de 18 anos.

Mesmo jogando pela equipe principal, Edwards atuava também pelo time juvenil na disputa da FA Youth Cup (uma espécie de Copa da Inglaterra Juvenil). O jornal The Guardian o considerava uma boa promessa e sempre dava destaque a suas atuações, passes precisos e arremates. Na temporada 1952/53, o jovem craque ajudou sua equipe a faturar o título da competição.

Na temporada seguinte, Edwards passou a atuar com regularidade no time principal. Depois de substituir o lesionado Henry Cockburn na partida contra o Huddersfield Town, em 31 de outubro de 1953, não saiu mais do time. Foram 24 partidas na Liga Inglesa e uma partida na FA Cup (Copa da Inglaterra) – partida esta na qual Manchester acabou eliminado pelo Burnley. Mesmo com a titularidade na equipe principal, Duncan Edwards continuava a disputar a FA Youth Cup pela equipe juvenil, onde conquistaria mais um título.

O bom desempenho de Edwards nas equipes juvenil e principal chamou a atenção do técnico da seleção inglesa Walter Winterbottom. O jogador foi convocado pela primeira vez para a seleção sub-23 e estreou em 20 de janeiro de 1954 na Itália, contra a Azzurra. Observado pelos olheiros da seleção principal, ele estaria a um passo da convocação, mas no segundo amistoso contra o Arsenal, em Wembley, sua atuação foi fraca e não foi chamado.

Na temporada de 1954/55, marcou seu primeiro gol como profissional. Em 38 atuações no time principal do Manchester na Liga, Edwards marcou seis gols. Com sua evolução dentro de campo, era impossível não ser convocado pela seleção principal. Estreou aos 2 de abril de 1955 na vitória esmagadora de 7x2 contra a Escócia pelo Campeonato Britânico. Tinha 18 anos e 183 dias, e tornava-se o mais jovem estreante da Inglaterra no pós guerra – marca mantida até fevereiro de 1998, quando Michael Owen fez a sua estreia num amistoso contra o Chile (derrota inglesa por 2x0).

Três semanas após sua primeira partida com a camisa do English Team, Edwards foi convocado por Matt Busby para a disputa de mais uma decisão do United na FA Youth Cup. Vitória por 7x1 sobre o West Bromwich – e o terceiro título consecutivo. A decisão do clube em escalar Edwards para a partida foi duramente criticada pela imprensa porque o jogador já fazia parte da seleção principal. As críticas chegaram a Busby e o treinador teve que se retratar nos jornais, comentando sobre a importância do jogador nas conquistas do Manchester.

Em maio de 55, Edwards foi convocado novamente para a seleção em três amistosos: contra França (derrota por 1x0 em Paris), Portugal (derrota por 3x1 na Cidade do Porto) e Espanha (empate de 1x1 em Madri), tendo começado as três partidas como titular. Na volta, ele foi cumprir o serviço obrigatório no Exército Britânico. A seu lado estava seu companheiro de clube, o também jovem Bobby Charlton. Lá, permaneceram por dois anos, mas durante esse tempo puderam atuar pelo Manchester normalmente.

Com os Busby Babies em campo, liderados por Edwards, e um esquema tático inovador, os títulos do Manchester United começaram a surgir. Nas temporadas de 1955/56 e 1956/57, foram duas conquistas no campeonato inglês. Mas na final da Copa da Inglaterra, na temporada 1956/57, derrota para o Aston Villa por 2x1.

A primeira participação do Manchester na Copa dos Campeões foi em 1956 (um ano após sua criação). Edwards participou de sete partidas, incluindo a vitória memorável contra o Anderlecht da Bélgica por 10x0 (considerada até hoje a maior vitória da história do clube). O United chegou até as semifinais, sendo eliminado por nada menos do que o Real Madrid de Di Stefano, que levaria o segundo título do torneio. Derrota por 3x1 em Madrid e um empate no Old Trafford.

Pela seleção, Duncan Edwards participou de todas as quatro partidas das Eliminatórias da Copa de 1958, com dois gols marcados sobre a Dinamarca na vitória por 5x2 em 1956. O jovem já era considerado o principal jogador da equipe e cotado para substituir o veterano Billy Wright como capitão do English Team no Mundial da Suécia.

O ano de 1958 começou com Edwards em boa forma e cobiçado por clubes da Itália. Com 21 anos, já ganhava dinheiro também fora dos gramados sendo garoto propaganda de uma indústria de açúcar. Bom moço, ingênuo, sempre reservado e adepto à pesca e aos jogos de cartas, ele nunca chamava atenção por escândalos e polêmicas. No mesmo ano, casou-se com Molly Leach, uma jovem moça de 20 anos que conheceu num aeroporto em Manchester.

Dentro dos gramados, o jovem craque se destacava tanto com a camisa do Manchester quanto com a da Inglaterra. No dia 1º de fevereiro de 1958, Edwards atuou mais uma vez pela seleção inglesa em Wembley, marcando um gol contra o Arsenal. Mal sabia ele que a vitória por 5x4 contra os Gunners seria a última partida dele pela seleção. Cinco dias depois, o Manchester enfrentaria o Estrela Vermelha em Belgrado pela Copa dos Campeões (empate por 3x3 e classificação para as semifinais), já que a primeira partida os Red Devils venceram por 2x1 em casa.

Na volta da Iugoslávia, o vôo BE609 da British Airways, que transportava a equipe para casa, pousaria em Munique, na Alemanha, para reabastecer. O tempo estava ruim demais para continuar a viagem, pois nevava muito. A aeronave, um Airspeed Ambassador, carregava 44 passageiros, entre jogadores, comissão técnica e jornalistas.

O piloto tenta decolar por duas vezes, mas os motores falham. Na terceira tentativa, por volta das 15 horas, o avião levanta vôo, porém, em seguida, um motor da aeronave pega fogo e ela cai sobre as grades do aeroporto e em uma casa desabitada, desintegrando-se completamente.
Dos 44 passageiros, 21 pessoas morreram instantaneamente – entre elas, sete jogadores do Manchester, três membros da comissão técnica, oito jornalistas e três tripulantes. Outros sete mortos eram moradores que estavam nos arredores da queda.

Duncan Edwards sobrevive à queda, e é levado ao hospital Rechts Der Izar com fraturas múltiplas nas pernas e nas costelas e lesões nos rins. Sua família fica sabendo pelos noticiários sobre a queda, mas ficam aliviados por não verem o nome de Duncan entre os mortos.

Os médicos estavam confiantes pela recuperação de Edwards, mas não podiam garantir que o craque voltaria a jogar futebol. Dois dias após o acidente, Duncan viu um rosto conhecido. Era Jimmy Murphy, assistente de Matt Busby (o qual estava gravemente ferido e chegou a receber a extrema unção por duas vezes, mas sobrevive). O jogador murmurou no ouvido de Murphy que não estava no vôo porque estava à frente da seleção galesa na repescagem para a Copa de 1958 contra Israel no dia do acidente: “Que horas começa o jogo contra os Wolves, Jimmy? Preciso estar pronto!” Tanto Murphy quanto os médicos ficaram espantados com a luta de Edwards para sobreviver. Essa força durou 15 dias. No dia 21 de fevereiro, Duncan Edwards faleceu por insuficiência renal. Das oito vítimas fatais, a dele foi a mais sentida. O craque se tornou uma lenda e o destino o levou.

Duncan Edwards foi enterrado em Dudley, ao lado do túmulo da irmã Carol Anne. Milhares de torcedores e fãs foram às ruas para o seu funeral. Após sua morte, sua família autoriza a publicação do livro de memórias escrito por ele mesmo e chamado “Combater Soccer This Way” (sem tradução para o português).

Em frangalhos, o United voltou a campo no mês seguinte comandado por Murphy na final da Copa da Inglaterra contra o Bolton Wanderers, derrota por 2x0. Na semifinal da Copa dos Campeões, foi eliminado pelo Milan e no Campeonato Inglês terminou na nona colocação.

Em Dudley, foram inúmeras as homenagens a seu filho ilustre: Duncan Edwards virou nome de rua, condomínio e até de um bar. Um vitral com a imagem dele foi inaugurado em 1961 na Igreja de São Francisco com a presença de Matt Busby. Uma estátua do jogador foi posta numa praça no centro da cidade.

O Manchester United construiu um memorial no estádio de Old Trafford homenageando seus 11 profissionais mortos no dia 6 de fevereiro de 1958. Uma placa com os nomes dos jogadores e membros da comissão técnica foi posta ao lado de um relógio congelado às 15:04, horário exato do acidente. No dia 6 de fevereiro de 2008, quando a tragédia de Munique completou 50 anos, foram feitas muitas homenagens aos atletas por toda Manchester e por toda a Inglaterra. No mesmo dia, as duas equipes de Manchester (United e City) se enfrentaram pelo Campeonato inglês. Ambas jogaram caracterizadas com uniformes da época do acidente e fizeram um minuto de silêncio. Os jogadores do United entraram acompanhados de crianças vestindo camisetas com os nomes dos homenageados nas costas. Com a bola rolando, o City roubou a cena ao vencer seu rival por 2x1.

Duncan Edwards continua sendo lembrado até hoje como uma promessa que não chegou a se tornar uma realidade. Com apenas seis anos de carreira, disputou 177 partidas com a camisa do Manchester (entre juvenil e profissional) e marcou 21 gols. Existem poucas imagens dele em ação, mas aqueles que presenciaram o jovem craque em campo dizem que seria o melhor jogador de todos os tempos.

Em 2002, Duncan Edwards foi incluso no Hall da Fama do futebol inglês por seu talento dentro das quatro linhas. Bobby Charlton, companheiro de Manchester e seleção, que sobreviveu ao acidente em Munique disse que a morte de Duncan foi a “maior tragédia que aconteceu ao United e ao futebol inglês”. Terry Venables, técnico da seleção inglesa de 1994 a 1996, afirmou que, se houvesse sobrevivido ao acidente, Edwards teria erguido a Taça do Mundo em 1966 como capitão da Inglaterra, e não Bobby Moore. Já Tommy Docherty, ex técnico de Manchester United, Chelsea e seleção escocesa, foi mais enfático: disse que Edwards seria o melhor jogador de todos os tempos – à frente de Best, Maradona e Pelé. Não só pela habilidade, mas pela capacidade de jogar em todos os lados do campo com maestria.

Elogios não faltam ao ex-camisa 6 do Manchester United e da seleção inglesa. Ele poderia ser o melhor do futebol inglês e até do mundo. Morreu jovem, mas com um talento de gente grande que não tinha limites. Teve uma vida de promessa, por isso que se tornou inesquecível. O mundo do futebol chorou no dia 6 de fevereiro de 1958 e até hoje se rende ao talento de Duncan Edwards – o menino que o destino transformou em lenda, em mito.

Ficha Técnica:
Nome Completo: Duncan Edwards
Nascido em: 1 de outubro de 1936 em Dudley (Inglaterra)
Falecido em: 21 de fevereiro de 1958 em Munique (Alemanha)
Site Oficial: www.duncan-edwards.co.uk
Posição: Meia
Clubes: Manchester United-ING (1952-1958)
Títulos: FA Youth Cup (1953/54/55) e Campeão Inglês (1956 e 1957)
Seleção: 18 jogos e 5 gols marcados

Texto publicado no Trivela em 28 de janeiro de 2011: http://trivela.uol.com.br/blog/lado-b/duncan-edwards-o-destino-fez-uma-lenda/