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quarta-feira, 16 de maio de 2012

CONHEÇA O JOGADOR: Kyle Ebecilio – Jogador Sub-17, futebol de gente grande


Kyle Ebecilio se destacou no Europeu sub-17 e também
no Mundial da categoria realizada no México.

No futebol, quando se fala em volantes atualmente, se pensa em jogadores quebradores de bola, que marcam forte – até com uma certa virilidade. Lembrou de Nigel De Jong, certo? Por falar em volantes holandeses que se caracterizam pela força, pela raça, um jovem surge agora como uma promessa de craque. Craque? Sim. Características como habilidade, velocidade e força fazem de Kyle Ebecilio uma grata revelação holandesa.


Nascido na cidade de Hoorn, região noroeste da Holanda, Kyle seguiu os passos do irmão mais velho Lorenzo. O talento do irmão, que joga como atacante, o levou a vestir a camisa do Ajax, da capital Amsterdã, aos 18 anos. Kyle tinha apenas 15 quando deixou a cidade natal e desembarcou em Rotterdã para jogar no Feyenoord, que levou o garoto para sua academia de formação de jovens jogadores. Ao lado dele estava seu primo, Jeffrey Bruma, um zagueiro muito promissor que despertava o interesse do Chelsea.


Em 2009, os blues de Londres confirmaram seus interesses e levaram o jovem zagueiro para Stanford Bridge. Por sua vez, Kyle começava a brilhar mais na seleção de base da Holanda quanto no Feyenoord.


Sua estreia na seleção laranja foi no Campeonato Europeu Sub-17, na Sérvia, no ano passado. Com uma campanha irretocável (6 vitórias e um empate), a Holanda conquistaria o seu primeiro título da categoria ao derrotar a Alemanha na final por 5x2. Ebecilio, que foi o melhor jogador do torneio, marcou um dos gols, se tornando o artilheiro da competição, ao lado do também holandês Tonny Trindade e do alemão Samed Yesil, com 3 gols marcados cada.


Após a conquista do torneio europeu pela seleção holandesa, o contrato de Kyle Ebecilio com o clube de Rotterdã chegava ao fim. E o futebol do garoto começou a ser disputado por dois gigantes ingleses: o Chelsea – que em 2009 havia contratado do Feyenoord o zagueiro Jeffrey Bruma – tentou de todas as formas contratar o talentoso volante. Além dos blues, o Arsenal também estaria na disputa pelo jovem, que em 2010 estava com 16 anos.


Londres estava cada vez mais próxima de ser a nova casa de Ebecilio. Os Gunners venceram a disputa com o Chelsea pelo jovem holandês. Com a tradição de trabalhar no desenvolvimento de jovens jogadores (e revelar talentos como por exemplo o espanhol Cesc Fabregas), o Arsenal levou o garoto no verão de 2010 para atuar nas divisões de base. Kyle foi destaque pelo clube nos torneios sub-18 e pela FA Youth Cup na temporada de 2010/11 (uma espécie de Copa da Inglaterra Juvenil).


Em fevereiro de 2011, Ebecilio assinou seu primeiro contrato profissional com o Arsenal. Arsene Wenger, técnico dos Gunners, pediu a transferência do garoto para Londres e fez questão de contar com o meia para as principais competições que o Arsenal disputará na temporada 2011/12 (Liga dos Campeões, Premier League, Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa).


Em junho de 2011, no México, a Holanda chegou ao Mundial Sub-17 como uma das grandes favoritas para a conquista do título. Com um técnico experiente, um grupo forte e unido e com craques como Ebecilio, era certo que os laranjas estariam entre os melhores da competição. O time, porém, não confirmou as expectativas. Num grupo que contava com os donos da casa, o Congo e a Coreia do Norte, a Holanda terminou a primeira fase em último lugar, com duas derrotas (1x0 Congo e 3x2 México) e um empate (1x1 com a Coreia do Norte). Mesmo com as derrotas, os erros e a eliminação, Kyle Ebecilio chamou a atenção por suas qualidades – principalmente sua habilidade – marcando um belo gol contra os mexicanos. “Não posso estar orgulhoso com a minha atuação, já que jogamos e perdemos em equipe, mas estou orgulhoso do grupo, nós lutamos muito e demos tudo até o final”, disse ao Fifa.com o camisa 6 e destaque holandês no mundial.


Pela seleção de base da Holanda, os números de Kyle são inexpressivos, mas eficientes: em dois torneios oficiais (um mundial e um europeu), disputou 8 jogos, com 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcando 4 gols.


Nessas competições, Kyle Ebecilio mostrou qualidades que o classificam como uma grande realidade do futebol: capacidade de recuperar a bola, driblar e distribuir o jogo com extrema qualidade. Com 1,81m de altura, o jogador lembra muito o volante francês Patrick Vieira – tanto física quanto tecnicamente. Mas a inspiração do garoto é outro jogador, que substituiu o próprio Vieira no Arsenal: o camaronês Alex Song. “(Ele) é meu modelo. Ele joga na mesma posição que eu e é muito técnico. Sinto que meu futebol é muito parecido com o dele”, afirma em entrevista ao site da FIFA.


Uma coisa é certa: o futebol de Kyle Ebecilio vai crescer muito e o jogador logo estará entre os selecionáveis do técnico Bert van Marwijk. Assim como no time principal do Arsenal. E quem sabe seguir o mesmo caminho de seus conterrâneos Dennis Bergkamp e Robin van Persie e se tornar um grande ídolo dos Gunners. Potencial ele mostrou que tem.




Ficha Técnica
Nome Completo: Kyle Ebecilio
Nascido em: 17 de fevereiro de 1994 em Hoorn (Holanda)
Posição: meio-campista (volante)
Clubes como jogador: Feyenoord (2009/10), Arsenal-ING (desde 2010)
Titulos como jogador: Campeão Europeu Sub-17 (2010)






Texto publicado originalmente no Trivela em 23 de agosto de 2011: http://trivela.uol.com.br/blog/lado-b/kyle-ebecilio-sub-17-mas-futebol-de-gente-grande/

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CONHEÇA O JOGADOR: Ryo Miyaichi - O prodígio japonês


Ryo Miyaichi atuou no Feyenoord, Arsenal
e atualmente no Bolton

Que o futebol japonês vem crescendo nos últimos anos, todos nós sabemos. O atual campeão da Copa da Ásia teve uma ótima participação no último Mundial, chegando até as oitavas-de-final com gratas revelações individuais como o meia-atacante Keisuke Honda do CSKA da Rússia. Mas existe um outro jogador que promete. Seu nome: Ryo Miyaichi.

Nascido na cidade de Okazaki, na província de Aichi (localizado na ilha principal do Japão, a 310 Km de Tóquio), Nyo é filho de Tatsuya Miyaichi, o qual jogava beisebol profissionalmente no clube da Toyota Motors. Após a carreira profissional, dirigiu o time de Toyota City na mesma província de Aichi. O pequeno Ryo optou por outro esporte e começou a jogar futebol na escola – e, consequentemente, a se destacar.

Na adolescência, Ryo começou a jogar futebol pela equipe do Sylphid FC, na cidade de Nagoya. Mais tarde, aos 16 anos, passou a jogar na Chukyodai Chuyko High School. Em 2008, já integrava as seleções de base do Japão, jogando o Mundial Sub-17 na Nigéria. Em 2010, além de integrar a seleção Sub-20 do Japão, Ryo se destacou no All Japan High School Soccer Tournament, o maior torneio de futebol amador organizado pela Associação Japonesa de Futebol. O Chukyodai não foi bem no torneio, eliminado na primeira fase. Mas o torneio foi importante para o jovem Ryo Miyaichi e sua carreira deu um salto. Tudo porque neste torneio havia um observador mais do que especial: Arsène Wenger, técnico do Arsenal.

Técnico do Nagoya Grampus Eight nos anos de 1995 e 1996, Wenger é idolatrado pelos japoneses. Conhecido como “milagreiro”, ganhou a Copa do Imperador (1995) e a Supercopa Japonesa (1996), ele ficou impressionado com o talento do garoto – dono de uma técnica apurada, toques e dribles rápidos e uma velocidade espetacular (Ryo atingiu neste torneio os incríveis 100 metros em 10,84 segundos, pouco abaixo da marca atingida por um atacante do próprio Arsenal, Theo Walcott, que fez em 10,30 segundos).

Conhecido por ser um visionário no futebol – por preferir trabalhar com jovens talentos para desenvolvê-los, moldá-los no seu estilo de esquema de jogo, a trabalhar com renomados jogadores – Wenger (que já revelou no futebol talentos como o espanhol Césc Fabregas, o holandês Robin Van Persie, o marfinense Koló Touré, o inglês Theo Walcott e o dinamarquês Nicolas Bendtner) viu grande potencial no garoto japonês. Tanto que o “manager” dos Gunners convidou o garoto, então com 17 anos, a fazer alguns testes no clube inglês durante o verão de 2010. Miyaichi atuou na pré-temporada contra o Boreham Madeira e o AFC Wimbledon, agradando ao treinador francês. Sua habilidade também havia chamado a atenção de outros clubes europeus como Milan e Ajax, mas os ingleses chegaram na frente e trataram de contratá-lo.

Ryo assinou seu primeiro contrato profissional com o Arsenal em 31 de janeiro de 2011, aos 18 anos, num compromisso até o ano de 2014. O young gunner nem chegou a entrar em campo pelo clube: para adquirir experiência, foi emprestado para o Feyenoord da Holanda.

Miyaichi estreou profissionalmente no dia 5 de fevereiro de 2011, num empate de 1x1 contra o Vitesse pelo Campeonato Holandês. O time de Roterdã (que é o terceiro maior campeão na Holanda, depois do Ajax e o PSV) estava nas últimas posições, tinha levado uma histórica (e humilhante) goleada de 10x0 do PSV Eindhoven e estava afetado emocionalmente pelas saídas dos ídolos Roy Makaay e Giovanni Van Bronckhorst, que se aposentaram. Ryo chegou como um alento ao time. Até porque em sua segunda partida, diante da torcida, o meia japonês brilhou. Contra o Heracles, Miyaichi marcou o primeiro gol da vitória de 2x1, em uma atuação brilhante.

Depois dessa grande apresentação, Ryo Miyaichi tornou-se novo ídolo da torcida. Tanto que ganhou o apelido de “Ryodinho” – uma referência ao Ronaldo Fenômeno, jogador que se destacou no PSV Eindhoven, também com 18 anos.

Desde que Ryo entrou em campo com a camisa alvi-rubra, o Feyenoord não perdeu mais. Foram 14 pontos conquistados em 18 possíveis, subiu para a 11° posição e deixou de ser ameaçado pelo rebaixamento. A fase do japonês no Feyenoord é tão boa que o técnico do time Mário Been já confia numa campanha melhor na Liga Europa.

Agora os olhos da mídia estarão voltados ao jovem japonês, que ao final da temporada holandesa voltará ao Arsenal. Muitos apostam na convocação de Miyaichi para a seleção principal do Japão nesta Copa América, que será disputada em 2011 na Argentina.
Se vai ser convocado para a seleção principal ainda não sabemos, mas que o garoto tem talento de sobra para confirmar a aposta, isso sabemos muito bem.

Texto publicado no Trivela em 21 de março de 2011: http://trivela.uol.com.br/blog/lado-b/ryo-miyaichi-prodigio-niponico/

sábado, 21 de abril de 2012

RELEMBRE O JOGADOR: Pat Jennings – Arqueiro, lenda e ídolo de duas torcidas


Jennings com a camisa da seleção norte-irlandesa
Quando o Tottenham entra em campo liderado pelo goleiro vestindo a camisa verde, os torcedores mais antigos se lembram de uma lenda. Eles se lembram de Patrick Anthony Jennings, conhecido mundialmente por Pat Jennings, ou simplesmente “Big Pat” – o melhor goleiro que vestiu a camisa dos Spurs e um dos melhores goleiros que o Reino Unido e o mundo já viram. Esguio, de mãos grandes, ele revolucionou a forma de atuar na posição com as famosas defesas de mãos trocadas e em dois tempos, dando um tapinha na bola antes de segurá-la definitivamente.

Nascido na cidade de Newry, sul da Irlanda do Norte, começou sua precoce carreira aos 16 anos num clube local. Em 1963, o jovem goleiro deixou o Newry City FC ao ser contratado pelo Watford, um clube de terceira divisão do futebol inglês. Nos Hornets, o goleiro atuou por um ano (48 jogos), tendo seu talento reconhecido por um grande clube, o londrino Tottenham Hotspur. Contratado aos 19 anos, por £ 27.000, Jennings chegou ao White Hart Lake – a casa dos Spurs – para fazer história. Em 13 anos no clube, ele atuou em 472 partidas, conquistando uma Copa da Inglaterra em 1967, uma Supercopa da Inglaterra no mesmo ano, duas Copas da Liga Inglesa em 1971 e 1973 e uma Copa da UEFA em 1972. Foi eleito o “Futebolista do Ano” na temporada 1972/73 pela FWA (sigla em inglês para Associação dos Cronistas Esportivos) e o PFA (Player of The Year – O jogador do ano) em 1975/76 pela Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra. Jennings foi o primeiro jogador a receber os dois prêmios mais importantes do futebol inglês. Em 1976, foi agraciado com a condecoração de MBE (Membro da Ordem do Império Britânico), um dos maiores títulos concedidos pela realeza britânica, por sua reputação dentro e fora dos gramados.

Não foram só defesas incríveis que caracterizaram a passagem de “Big Pat” com a camisa dos Spurs. Em 12 de agosto de 1967, contra o Manchester United de Matt Busby na disputa do FA Charity Shield (a Supercopa da Inglaterra), Jennings marcou um gol antológico: depois de fazer a defesa, ele deu um chutão para o ataque. O chute foi tão forte e preciso que encobriu o goleiro Alex Stepney. A partida terminou em 3x3 e os dois clubes dividiram o título.

Em 1977, o Arsenal – maior rival do Tottenham – levou o goleiro para Highbury. O presidente dos Spurs Keith Burkinshaw resolveu liberar o atleta acreditando que Jennings, com 32 anos, já tinha feito história e que estava em fim de carreira. Grande engano! Como de costume, “Big Pat” fez história também nos Gunners, atuando por nove temporadas (237 partidas) e conquistando uma Copa da Inglaterra em 1979. Jogou por lá até o ano de 1985. Com 40 anos, decidiu abandonar a carreira profissional por clubes e se dedicar somente à seleção. Após encerrar o vínculo com o Arsenal, retornou ao Tottenham para se condicionar fisicamente até o início da Copa do Mundo no México em 1986.
Em 2008, foi feita por torcedores associados do Arsenal, uma seleção dos 50 maiores jogadores que atuaram nos Gunners. Pat Jennings foi eleito o 10º maior jogador da história do clube, atrás de nomes como: Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Tony Adams, Ian Wright, Patrick Vieira, Robert Pires, David Seaman, Liam Brady e Charlie George.

Jennings estreou na seleção da Irlanda do Norte no ano de 1964, aos 18 anos, numa partida válida pela British Home Championship (Torneio britânico entre seleções). Junto dele, outra lenda irlandesa: George Best. Vitória sobre País de Gales por 3x2. Em 22 anos de seleção, Pat jogou 112 partidas, com duas copas do mundo no currículo (82 e 86). Na Copa de 86, o goleiro bateu um recorde: foi o jogador mais velho a atuar num Mundial. Ele estava com 41 anos e sua última partida internacional (e também da sua longa carreira) foi contra o Brasil, pela 1ª fase – e foi dolorosa para ele, pois a Irlanda do Norte foi eliminada após a derrota por 3x0. Seu recorde durou por oito anos, sendo superado pelo camaronês Roger Milla na Copa dos Estados Unidos em 1994. Ele estava com 42 anos e 39 dias.

Mas outro recorde permanece: Pat Jennings é o único jogador que detém o maior número de participações em Mundiais (incluindo as eliminatórias). São seis no total: 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986. Esta marca já foi igualada pelos jogadores de Trinidad e Tobago Dwight Yorke e Russell Latapy que disputaram em 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

Após sua aposentadoria, Jennings trabalhou como treinador de goleiros no Tottenham em 1993. No ano de 2003, o norte-irlandês foi incluído no Hall da Fama do futebol inglês pelos serviços prestados ao esporte mais popular do país. Em 2007 foi à vez dos Spurs incluir o ex-goleiro no seu Hall da Fama, como um dos maiores que passaram por White Hart Lane. Hoje, aos 65 anos, vive em Londres, onde trabalha em eventos relacionados ao futebol e ao Tottenham.

Ficha Técnica: Pat Jennings
Nome Completo: Patrick Anthony Jennings
Nascido em: 12 de junho de 1945.
Local: Newry - Irlanda do Norte.
Posição: Goleiro.
Clubes Como jogador: Newry City-IRN (1961-1963); Watford-ING (1963-1964); Tottenham-ING (1964-1977 e 1985-1986); Arsenal-ING (1977-1985).
Títulos como jogador: Copa da Inglaterra (1967 e 1979); Copa da UEFA (1972); Supercopa da Inglaterra (1967); Copa da Liga Inglesa (1971 e 1973).
Seleção: 119 jogos