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domingo, 22 de abril de 2012

CONHEÇA O JOGADOR: Rory Delap – O estilingue humano


A especialidade de Delap: a cobrança de arremesso lateral

Ele poderia ter sido um jogador de futebol americano, mais precisamente um quarterback. Ou um lançador de beisebol. No máximo, poderia ter sido um jogador de rugby. Mas não, ele é um jogador de futebol. Nascido na cidade real Sutton Coldfield, condado de West Midlands (a qual, desde os anos 70, faz parte da cidade de Birmingham, a 200 Km de Londres), Rory Delap se destaca por uma peculiaridade: lançamentos em profundidade, com as mãos.

Inglês de nascimento, Delap naturalizou-se irlandês por intermédio dos pais, que nasceram no país. Aos 6 meses de idade, foi viver na cidade de Carlisle no condado de Cumbria (região noroeste da Inglaterra, a 268 Km de Birmingham e a 16 Km da fronteira com a Escócia), onde se revelou um grande atleta.


Na época de escola, ele já se revelava como lançador de dardos com muito potencial – tanto que se sagrou campeão – mas foi no futebol que Rory se destacou mais.

Ao lado de nomes como Matt Jansen (ex-Blackburn e seleção inglesa Sub-20) e o escocês Lee Peacock (ex-Manchester City), Delap era mais um jogador promissor que se destacava no Brunton Park, casa do Carlisle United. Ele estreou nos Cumbrians em 18 de julho de 1994, aos 18 anos. Em 1997, no estádio de Wembley, conquistou com o Carlisle o título da Football League Trophy (um torneio que credencia ao vencedor a passagem à Football League One, a segunda divisão inglesa) contra o Colchester United, nos penaltis por 4x3 –depois do 0x0 no tempo normal. Nesta partida, merece destaque o goleiro Tony Caig, que fez duas defesas quando o time perdia por 3x1 na disputa.


Em fevereiro de 1998, ano seguinte à conquista do título e à promoção para a segunda divisão do futebol inglês, Delap deixa o Carlisle (onde atuou em 65 jogos, marcando 7 gols) para jogar na Premier League – a primeira divisão inglesa – pelo Derby County por £ 200 mil. Na cidade de Derby, Rory permaneceu até o ano de 2001 atuando em 103 partidas e marcando 11 gols.


Em 2001, foi contratado por £ 4 milhões pelo Southampton, também da primeira divisão da Inglaterra. Foi a maior transferência da história do clube, superando os £ 2 milhões pagos ao Sheffield Wednesday pelo atacante David Hirst em 1997. Os “Santos” venceram uma disputa com o Middlesborough e o Leeds United pelo passe do jogador. Na primeira temporada, Rory e o Southampton não foram tão bem: o insucesso na competição ocasionou o rebaixamento para a segunda divisão. Mas nem só de maus resultados foi marcada a passagem do irlandês no Southampton. Em março de 2004, contra o Tottenham, vitória dos “Santos” por 1x0, num belo voleio de Delap. Outro momento mágico do meia irlandês viria sete meses depois contra o Arsenal no estádio St. Mary: Delap marcou dois gols nos últimos 10 minutos de jogo. O Southampton só não levou os 3 pontos porque o atacante holandês Robin Van Persie empatou para os Gunners no apagar das luzes e o jogo terminou em 2x2.


Depois de mais um rebaixamento do Southampton, o técnico irlandês Mick McCarthy levou Delap para o Sunderland em 2005. Com muitos altos e baixos, inclusive uma contusão séria após uma disputa contra um defensor do Fulham, Rory ficou fora do time durante
boa parte da temporada devido a uma contusão no nariz. Entretanto, teve momentos importantes em partida, como quando, num arremesso de lateral, serviu Peter Crouch e depois marcou um gol no confronto contra o Everton, terminando em empate por 2x2, por exemplo. Esse gol foi o único gol marcado por Delap com a camisa dos “Black Cats”.


No ano seguinte, após amargar um novo rebaixamento e tendo seu compatriota Roy Keane como gerente do Sunderland, Delap foi emprestado ao Stoke City (que disputava a segunda divisão) em outubro de 2006. Sua estréia foi contra o Leeds United no Elland Road, numa surpreendente goleada de 4x0. Sua estréia em casa, porém, não foi tão boa assim. Contra o Sunderland, seu ex-clube, Delap teve a perna quebrada numa dividida com o lateral Robbie Elliott. Uma semana após a assinatura do contrato de empréstimo, o jogador sofrera uma fratura de tíbia e fíbula, afastando-o pelo restante da temporada. Mesmo sem o jogador, o técnico do Stoke Tony Pulis, pediu a sua contratação de forma definitiva. Certamente ele não se decepcionaria, pois o jogador revelaria um talento que ninguém de fato conhecia.


O retorno do jogador foi em 2007, num amistoso de pré-temporada contra o Newcastle. No mesmo ano, Delap e o Stoke chegaram às finais da Football League Championship (segunda divisão) fazendo uma ótima campanha – mas não conseguiram superar o West Bromwich, que conquistaria o título. O Stoke subiu para a primeira divisão como vice-campeão – seguido pelo Hull City, o terceiro colocado.


Na estréia do Stoke no retorno à Premier League, o mundo tomaria conhecimento de duas das armas do time: o primeiro era Britannia Stadium. O segundo, o camisa 24 do time, Rory Delap.


O jogador revelou ao público que a principal jogada do modesto time eram os arremessos de lateral. O Aston Villa foi a primeira vítima. Derrotado por 3x2, o terceiro gol dos “Potters” foi graças ao lançamento do irlandês para o maliano Mamady Sidibe, na pequena área, marcar.

As outras vítimas de Delap seriam Everton, Sunderland, Arsenal, Bolton e Middlesborough, todos no Britannia. Desses 5 adversários, somente o Everton saiu com o empate por 2x2. Os dois gols do Stoke foram de arremessos de Delap na área do goleiro Howard.


Dos 13 gols marcados pelo Stoke City no início da temporada, 7 foram graças ao “Estilingue Humano” – apelido dado a Delap pelo técnico do Everton, o escocês David Moyes, por causa de seus arremessos laterais. No oitavo jogo da temporada, ele marcou um gol na vitória dos Potters sobre o Tottenham por 2x1, em casa.


Em toda a sua carreira, até o dia 19 de fevereiro, foram 39 arremessos de Delap que resultaram-se em gols. Uma média de eficiência impressionante até para técnicos consagrados como Martin O'Neill, Arsène Wenger e Luiz Felipe Scolari.


Delap se tornou mais um jogador de origem britânica no hall de atletas que bateram recordes nos arremessos laterais longos. Nomes como Billy Gunn (jogador de críquete e de futebol em 1882), Ian Hutchinson (Chelsea em 1970), Andy Legg (Swansea City em 1992) e Dave Challinor (Tranmere Rovers em 2000) se destacaram nos seus clubes com arremessos na média dos 40 metros. Conhecido também como “Catapulta”, Rory Delap consegue arremessar a bola da lateral até a pequena área em exatos 38 metros. Ele usa
uma técnica típica de um lançador de dardos – mas usando as duas mãos e a bola no lugar do dardo – usando bem o corpo, os ombros e os braços. O sucesso de Delap nessa jogada é tanto que os torcedores do Stoke o chamam de “Beckham dos arremessos laterais”. A força nos lançamentos é tanta que chega à velocidade de 37 milhas (ou 60 quilômetros) por hora.


Delap foi convocado onze vezes pela seleção irlandesa. Sua estréia foi no dia 25 de março de 1998 num amistoso contra a República Tcheca (derrota por 2x1). Rory disputou dois jogos num torneio oficial: foram ambos confrontos contra a Turquia nas eliminatórias da Eurocopa de 2000, disputados na Holanda e na Bélgica. Jogando pela seleção nestas 11 aparições, foram 3 vitórias, 4 empates e 4 derrotas sem marcar nenhum gol. O meio-campista ficou de fora das disputas da Euro 2000 e do Mundial da Coréia e Japão em 2002.


Delap chamou tanta atenção da mídia que a sua técnica e eficiência inspiraram outras pessoas. Danny Brooks, um professor de educação física de 28 anos, usou uma outra técnica de impulsão. Dando cambalhotas, o professor de West Yorkshire arremessou a bola a 50 metros. Com essa marca, ele detém o recorde no Guinness Book como o maior reposição lateral do mundo.


Fora dos gramados, Delap foi convidado a participar de programas de TV e de eventos de caridade para ajudar hospitais infantis. Devido ao uso dos ombros e músculos lombares ao arremessar a bola, o irlandês também se tornou garoto-propaganda da “Back In Play” - Uma campanha que ajuda a combater a doença Espondilite Anquilosante, uma espécie de inflamação da coluna vertebral e também da pelve. Um outro golaço do “Catapulta Humana”, que, além de bom jogador dentro dos gramados, é um ótimo cidadão fora deles.



Ficha Técnica
Nome completo: Rory John Delap
Nascido em: 6 de julho de 1976 em Birmingham – Inglaterra (naturalizado irlandês)
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Carlisle United-ING (1994-1998), Derby County-ING (1998-2001), Southampton-ING (2001-2006), Sunderland-ING (2006 e 2007), Stoke City-ING (2006 e 2007 em diante).
Títulos: Campeão da terceira divisão inglesa (1997)
Seleção: 11 partidas

sábado, 21 de abril de 2012

RELEMBRE O JOGADOR: Pat Jennings – Arqueiro, lenda e ídolo de duas torcidas


Jennings com a camisa da seleção norte-irlandesa
Quando o Tottenham entra em campo liderado pelo goleiro vestindo a camisa verde, os torcedores mais antigos se lembram de uma lenda. Eles se lembram de Patrick Anthony Jennings, conhecido mundialmente por Pat Jennings, ou simplesmente “Big Pat” – o melhor goleiro que vestiu a camisa dos Spurs e um dos melhores goleiros que o Reino Unido e o mundo já viram. Esguio, de mãos grandes, ele revolucionou a forma de atuar na posição com as famosas defesas de mãos trocadas e em dois tempos, dando um tapinha na bola antes de segurá-la definitivamente.

Nascido na cidade de Newry, sul da Irlanda do Norte, começou sua precoce carreira aos 16 anos num clube local. Em 1963, o jovem goleiro deixou o Newry City FC ao ser contratado pelo Watford, um clube de terceira divisão do futebol inglês. Nos Hornets, o goleiro atuou por um ano (48 jogos), tendo seu talento reconhecido por um grande clube, o londrino Tottenham Hotspur. Contratado aos 19 anos, por £ 27.000, Jennings chegou ao White Hart Lake – a casa dos Spurs – para fazer história. Em 13 anos no clube, ele atuou em 472 partidas, conquistando uma Copa da Inglaterra em 1967, uma Supercopa da Inglaterra no mesmo ano, duas Copas da Liga Inglesa em 1971 e 1973 e uma Copa da UEFA em 1972. Foi eleito o “Futebolista do Ano” na temporada 1972/73 pela FWA (sigla em inglês para Associação dos Cronistas Esportivos) e o PFA (Player of The Year – O jogador do ano) em 1975/76 pela Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra. Jennings foi o primeiro jogador a receber os dois prêmios mais importantes do futebol inglês. Em 1976, foi agraciado com a condecoração de MBE (Membro da Ordem do Império Britânico), um dos maiores títulos concedidos pela realeza britânica, por sua reputação dentro e fora dos gramados.

Não foram só defesas incríveis que caracterizaram a passagem de “Big Pat” com a camisa dos Spurs. Em 12 de agosto de 1967, contra o Manchester United de Matt Busby na disputa do FA Charity Shield (a Supercopa da Inglaterra), Jennings marcou um gol antológico: depois de fazer a defesa, ele deu um chutão para o ataque. O chute foi tão forte e preciso que encobriu o goleiro Alex Stepney. A partida terminou em 3x3 e os dois clubes dividiram o título.

Em 1977, o Arsenal – maior rival do Tottenham – levou o goleiro para Highbury. O presidente dos Spurs Keith Burkinshaw resolveu liberar o atleta acreditando que Jennings, com 32 anos, já tinha feito história e que estava em fim de carreira. Grande engano! Como de costume, “Big Pat” fez história também nos Gunners, atuando por nove temporadas (237 partidas) e conquistando uma Copa da Inglaterra em 1979. Jogou por lá até o ano de 1985. Com 40 anos, decidiu abandonar a carreira profissional por clubes e se dedicar somente à seleção. Após encerrar o vínculo com o Arsenal, retornou ao Tottenham para se condicionar fisicamente até o início da Copa do Mundo no México em 1986.
Em 2008, foi feita por torcedores associados do Arsenal, uma seleção dos 50 maiores jogadores que atuaram nos Gunners. Pat Jennings foi eleito o 10º maior jogador da história do clube, atrás de nomes como: Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Tony Adams, Ian Wright, Patrick Vieira, Robert Pires, David Seaman, Liam Brady e Charlie George.

Jennings estreou na seleção da Irlanda do Norte no ano de 1964, aos 18 anos, numa partida válida pela British Home Championship (Torneio britânico entre seleções). Junto dele, outra lenda irlandesa: George Best. Vitória sobre País de Gales por 3x2. Em 22 anos de seleção, Pat jogou 112 partidas, com duas copas do mundo no currículo (82 e 86). Na Copa de 86, o goleiro bateu um recorde: foi o jogador mais velho a atuar num Mundial. Ele estava com 41 anos e sua última partida internacional (e também da sua longa carreira) foi contra o Brasil, pela 1ª fase – e foi dolorosa para ele, pois a Irlanda do Norte foi eliminada após a derrota por 3x0. Seu recorde durou por oito anos, sendo superado pelo camaronês Roger Milla na Copa dos Estados Unidos em 1994. Ele estava com 42 anos e 39 dias.

Mas outro recorde permanece: Pat Jennings é o único jogador que detém o maior número de participações em Mundiais (incluindo as eliminatórias). São seis no total: 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986. Esta marca já foi igualada pelos jogadores de Trinidad e Tobago Dwight Yorke e Russell Latapy que disputaram em 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

Após sua aposentadoria, Jennings trabalhou como treinador de goleiros no Tottenham em 1993. No ano de 2003, o norte-irlandês foi incluído no Hall da Fama do futebol inglês pelos serviços prestados ao esporte mais popular do país. Em 2007 foi à vez dos Spurs incluir o ex-goleiro no seu Hall da Fama, como um dos maiores que passaram por White Hart Lane. Hoje, aos 65 anos, vive em Londres, onde trabalha em eventos relacionados ao futebol e ao Tottenham.

Ficha Técnica: Pat Jennings
Nome Completo: Patrick Anthony Jennings
Nascido em: 12 de junho de 1945.
Local: Newry - Irlanda do Norte.
Posição: Goleiro.
Clubes Como jogador: Newry City-IRN (1961-1963); Watford-ING (1963-1964); Tottenham-ING (1964-1977 e 1985-1986); Arsenal-ING (1977-1985).
Títulos como jogador: Copa da Inglaterra (1967 e 1979); Copa da UEFA (1972); Supercopa da Inglaterra (1967); Copa da Liga Inglesa (1971 e 1973).
Seleção: 119 jogos